Figura de importância duradoura no panorama do minimalismo e da composição moderna ao longo de décadas, Phill Niblock criou, no seu trabalho como compositor, cineasta e mentor, uma esfera de afinidades que continua a fazer-se sentir. Autor de numerosas peças de longa duração para os mais variados instrumentos, orquestra e electrónica, Niblock deixou uma obra onde um fluxo contínuo de som se transforma quase imperceptivelmente através da sobreposição de tons - uma música que encontra no volume não um excesso, mas uma condição de escuta, onde o som ganha corpo, densidade e espaço.
Com uma ligação forte a Portugal, através do seu papel como orientador na Bolsa Ernesto de Sousa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, é celebrado neste OUT.FEST com a apresentação de duas peças, “G2,44” e “First Out E”, construções de longa duração e densidade harmónica pensadas para a guitarra eléctrica numa fase de aproximação de Niblock ao potencial das seis cordas, e que coincidiu com a presença do “nosso” Rafael Toral em residência na sua Experimental Intermedia Foundation (“G2,44” foi estreada em 1996 por Toral e Jim O’Rourke em Chicago). Ocasião marcante então, que no dia em que o compositor cumpriria o seu 93º aniversário, Rafael Toral, André Gonçalves, Margarida Garcia e Manuel Mota, músicos históricos do país e no nosso percurso, todos eles antigos bolseiros orientados por Niblock e parte integrante da esfera de afetos que, com ele, deu forma a esse legado e o continua, se juntem nas guitarras para dar corpo a estas músicas sem princípio nem fim.